Minha história com o SUS
Nasci em Cacoal, Rondônia, em 1976 — antes mesmo de Cacoal se tornar cidade de fato, emancipada apenas em 1977. Foi aqui que decidi dedicar minha vida a cuidar de gente. Formei-me fisioterapeuta no interior de São Paulo, com um propósito claro: trabalhar dentro do Sistema Único de Saúde, o SUS — não como espectador, mas como parte de quem faz esse sistema funcionar todos os dias.
Tive a oportunidade de atuar pelo SUS na Ortopedia Carlos Barbosa, em Porto Alegre (RS) — uma experiência que ampliou meu olhar sobre a saúde pública brasileira, mostrando que os desafios da nossa Rondônia dialogam com os de todo o país, mas também que soluções bem estruturadas fazem diferença real na vida das pessoas.
De volta a Cacoal, minha caminhada seguiu onde a saúde pública mais precisa de presença: na saúde indígena, levando atendimento a quem, muitas vezes, está mais distante do acesso. Foi ali que aprendi que cuidar de verdade exige ir até onde a necessidade está, não esperar que ela chegue até nós.
Ao ingressar no serviço público, participei da implementação do serviço de reabilitação de Cacoal, onde atuei diretamente na assistência. Logo depois, assumi a direção do Hospital Unidade Mista de Cacoal e, na sequência, a coordenação regional do CEREST — Centro de Referência em Saúde do Trabalhador —, onde articulei ações de saúde e segurança do trabalhador em 16 municípios, distribuídos entre a Região de Saúde do Café (seis municípios) e a Região de Saúde da Zona da Mata (dez municípios), ambas pertencentes à nossa Macro 2.
Na sequência, atuei como diretor administrativo do Hospital Materno Infantil de Cacoal. Foram dois períodos que me ensinaram, na prática, o peso da gestão hospitalar: equilibrar recursos escassos, equipes exaustas e a urgência de quem precisa de atendimento agora. Gerir um hospital público é entender, todos os dias, que cada decisão administrativa se transforma em vida ou sofrimento de alguém.
Essa experiência me levou à Coordenação da Atenção Hospitalar.
Hoje, sigo firme na assistência direta, como fisioterapeuta no CER II — Centro Especializado em Reabilitação —, atendendo pacientes que dependem do SUS para recuperar movimento, autonomia e dignidade. É o chão de fábrica da saúde pública, e é onde continuo todos os dias.
Mais de 20 anos depois, o que me move não mudou: a certeza de que quem já esteve dos dois lados do sistema — gerindo e atendendo — entende como poucos onde estão as falhas e o que é preciso para consertá-las. Foi essa trajetória, construída passo a passo dentro do SUS, que me trouxe até aqui: com a convicção de que a saúde da nossa Macro 2 pode e deve ser resolvida na nossa própria região, sem que ninguém precise percorrer 300 a 707 km em busca de um atendimento de alta complexidade que deveria estar mais perto de casa.
Quer conhecer as propostas que nasceram dessa trajetória?
Ver Propostas